Assim Santa Terezinha do Menino Jesus definiu a sua vida. Como sendo um brevíssimo segundo, um dia fugidio que escapava por entre suas mãos. No original do poema por ela escrito e intitulado Mon cant d’aujourd’ hui, ela diz “Ma vie n’est qu’un instant, une heure passagère. Ma vie n’est qu’um seul jour qui m’échappe et qui fuit”.
Perco-me ao pensar em tanta inspiração e tanta entrega diante do mistério chamado vida. Encontro-me porque nada é tão difícil quanto olhar para a vida que se vive e tentar dar a ela um significado; nada é tão difícil quanto olhar para a vida “extensa” e só perceber efemeridades; nada é tão difícil quanto compreender que a vida “infinita” está além do que nossos olhos acostumados à estética podem ver, onde a beleza se manifesta de uma forma muito mais singela.
Difícil é discordar de Santa Terezinha e de tantos outros santos que souberam ver na vida a sua brevidade. São Gaspar Bertoni assim aconselhava “O passado já foi. O futuro está por vir. Só o presente existe e está em nosso poder. Viver dia a dia, de manhã ao meio dia, do meio dia à noite, realizando tudo com maior empenho. Talvez não nos será dado outro tempo para glorificar a Deus”.
Talvez seja esse o nosso grande erro. Fechar os olhos para o que realmente permanece e deixar-nos conduzir pelo superficial e passageiro. Não dizemos bom dia, não sorrimos com gratuidade, não cultivamos amizades. Vivemos o extremo da utilidade e somente pelo que é útil nos movemos. Planejamos, mas esquecemos que a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos esses planos... Esquecemos do hoje, de que somente ele está em nosso poder.
Hoje. Nesse espaço de tempo, nesse brevíssimo segundo em que a vida acontece é que devemos abrir os olhos da alma e perceber as essências que dão significado à vida, que dão razão às nossas ações, que nos aproximam do que realmente permanece.
Santa Terezinha olhou para o seu segundo de vida e a entregou “Tu bem sabes, ó meu Deus! Tu bem sabes, ó meu Deus! Para amar-te neste mundo, não tenho nada mais que hoje”. E nós, que faremos desse brevíssimo segundo?
Francis Almeida “Quem como Deus?” |