Bom Dia!    sexta-feira, 10 de setembro de 2010    
 
 
 
   
   
   
   
 
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Quando a solidão doeu em mim...
 
Você já se pegou pensando: quem sou eu? Encontrou resposta? Ficou feliz com sua descoberta? É... Descobrir a nós mesmos não é uma tarefa fácil, muitas vezes ficamos em dúvida sobre a definição encontrada. Será que ela partiu de mim ou da opinião e idéia que os outros fazem de mim?

Aos poucos e com o tempo... Somente assim é que nos percebemos enquanto aquilo que somos e que temos consciência, mesmo que palidamente, das relações que nos constituíram assim como nós nos percebemos. Acontece, porém, que tempo é um conceito profundamente subjetivo. Ora para alguns, ora para outros. Nunca o mesmo para todos. Mas sempre o germe da maturidade.

E em algum tempo das nossas vidas nós nos damos conta disso. Das nossas relações, do que elas são em nós e de como nós somos em cada um com quem nos relacionamos.

Em algum tempo nos damos conta de sentimentos, valores e dos conflitos que se geram em nós.

Na verdade essa referência à filosofia existencial ilustra uma experiência que, embora particular, me deixa o desejo de partilhá-la.

Não tenho a pretensão de pensar que fui o único a viver a experiência da solidão, mas foi somente quando esse sentimento doeu em mim que pude compreender as relações que me constituíram.

Descobri que solidão não é ausência, mas presença! É a presença em nós daqueles que, mesmo distantes, fazem parte do nosso ser. Descobri que a solidão dói quando não compreendemos essa dimensão da presença e, sobretudo, quando não permitimos que o nosso passado passe diante de nós, desvelando as nossas raízes. Solidão dói quando se sente desprendido. Talvez por isso, em dias de um discurso tão liberalista se sinta tanta solidão. Desprendimento não é sinônimo de liberdade. A liberdade existe na consciência daquilo que verdadeiramente somos, do passado que vivemos, do presente que construímos e do futuro que planejamos.

Aos poucos e com o tempo nos vemos de forma menos turva... Assim somos capazes de nos conhecer melhor e de compreender melhor a vida. Assim somos capazes de escolher, pois, a vida.

Francis Almeida
“Quem como Deus?”
 
Data 10.02.2008
 
 
 
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